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06/03/2014

Mulheres que mudaram o Brasil

Maria da Penha
Depois de escapar de duas tentativas de assassinato por parte do marido e lutar por 20 anos para ver o agressor e o Estado punidos, alertou o governo para a urgência de criar uma lei que protegesse as mulheres. O documento vigora desde 2006. Hoje ela é ativista de uma ONG que reage à violência doméstica

Ellen Gracie
Primeira ministra e primeira presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ela proferiu 30 mil decisões de 2000 a 2011. O período coincide com a guinada da mais alta corte em direção aos temas políticos. Suprindo a ineficiência do Legislativo, o STF aprovou, entre outros avanços, a união homoafetiva. "O reconhecimento responde a um grupo de pessoas que foram humilhadas, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida", justificou na época.

Chiquinha Gonzaga
O marido, dono de navio, mandou Chiquinha escolher entre ele e o piano. Era 1868 e ela ficou com a música. Tocava à noite com boêmios para sustentar os filhos. Compôs 2 mil músicas e é autora da primeira marcha de Carnaval, Ó Abre Alas. Arrecadou dinheiro para alforriar escravos e protestou contra a monarquia. Aos 52 anos, se apaixonou por um rapaz de 16 e viveu com ele até morrer, aos 87.

Glória Maria
Essa carioca não é apenas a primeira negra do telejornalismo, a âncora que mais tempo conduziu o Fantástico (Rede Globo), a repórter que correu o mundo e entrevistou de Madonna a Michael Jackson. Glória se tornou também uma voz firme contra o preconceito. Barrada num hotel de luxo, denunciou o fato na TV. Foi a primeira pessoa pública a recorrer à lei que coíbe o racismo.

Carmen da Silva
A gaúcha encorajou as leitoras de CLAUDIA entre 1963 e 1985. Defendeu o divórcio (inexistente no país) e a maternidade como escolha. Apontou o trabalho como rota de saída para a insatisfação e a dependência psicológica ou econômica.

Leila Diniz
A atriz demoliu tabus em um tempo em que a ditadura militar comandava da política aos costumes. Ela dizia o que pensava, sem medo da censura. Em 1971, grávida, foi à praia de biquíni. Mostrou que maternidade não exclui sensualidade.

Nísia Floresta
Seu principal legado é o livro Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, de 1832 - quando as brasileiras mal sabiam ler. Essa pioneira do feminismo escreveu, aos 22 anos, que a vantagem masculina estava só na força física. Por ela, mulher ocuparia até posto de general. Nísia deixou o marido para assumir um romance proibido. Difamada e rica, viajou pela Europa e amou escritores como Alexandre Dumas e Victor Hugo. Produziu 15 livros e criou, no Rio de Janeiro, uma escola para ensinar matemática e história para meninas. Papari (RN), cidade onde nasceu e que a ridicularizou, hoje se chama Nísia Floresta

Nise da Silveira
A psiquiatra alagoana deu aos doentes mentais a chance de resgatar a dignidade. Em um hospital carioca, ela trocou o eletrochoque por tintas, pincéis e telas. Com as obras dos pacientes, criou o Museu de Imagens do Inconsciente. Para Nise, esquizofrenia não era doença, mas uma manifestação de vários estados de ser que desconectavam o ego. Recebeu crítica da psiquiatria tradicional e elogios de psicanalistas como o suíço Carl Jung. Foi prisioneira da ditadura Vargas, acusada de ser comunista e defender as mulheres. O amigo Graciliano Ramos escreveu um livro infantil sobre uma princesa parecida com Nise.

Alzira Soriano
Fazendeira, 32 anos, três filhas, Alzira se elegeu prefeita de Lages (RN) em 1929, quando as brasileiras não podiam sequer ir às urnas. Foi para afrontar o Congresso que o governador Juvenal Lamartine concedeu o direito de votar às mulheres do Rio Grande do Norte. Viúva, com um olho na roça e o outro na agitação feminista da Europa, ela adotou ideias liberais, o que animou a população

Marta
Nem Pelé nem Neymar. No futebol, apenas a alagoana Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo em cinco anos seguidos, de 2006 a 2010. Antes dela não havia ídolo feminino no esporte nacional.

Bertha Lutz
De um aviãozinho, ela jogou panfletos sobre o Congresso Nacional, o Palácio do Catete (sede do governo federal, então instalado no Rio) e os jornais. No texto, pedia o direito de votar. Com seu grupo sufragista, convenceu o presidente Getúlio Vargas: em 1932 foi instituído o voto das mulheres no país. Como deputada, propôs o Estatuto da Mulher, que previa mudar a lei trabalhista para ampliar as oportunidades femininas.

Zuzu Angel
Em seu ateliê carioca, a estilista mineira se rebelou contra a moda "colonizada". Juntou chita, rendas do Ceará e frutas para "abrasileirar" a roupa. Ainda enfrentou a ditadura militar, que torturou e matou seu filho, Stuart Angel. Sua denúncia invadiu a passarela, chegou à Justiça, ao governo americano e repercutiu no mundo. Zuzu morreu em 1976, em um acidente mal explicado, tentando achar o corpo de Stuart. 

*Esta matéria  foi publicada no Site Claudia

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