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10/01/2013

Felicidade x Dinheiro: o que pesa mais na carreira?

Quando o assunto é “felicidade no trabalho”, as opiniões tendem a se polarizar entre vocação e dinheiro. Quem é mais feliz? Aquele que faz o que gosta ou o que ganha um gordo salário no final do mês? A resposta é ainda mais difícil quando envolve uma sociedade consumista, na qual a posse de bens materiais se confunde com felicidade para muita gente.
 
A discussão é filosófica, mas é legítima na visão do professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho (PST) da Universidade do Estado de São Paulo (USP), Marcelo Afonso Ribeiro. Longe de apontar uma resposta, ele introduz outro elemento ao debate: a capacidade de escolha. E a equação é simples: quem pode escolher tende a encontrar a “felicidade profissional” mais facilmente. “Eu diria que algumas pessoas têm mais possibilidade de decidir [se querem ganhar mais ou fazer o que gostam] e outras menos”, analisa. “Se eu sou de uma classe mais humilde, não estudei tanto, tenho possibilidades de trabalho mais restritas”, afirma o professor, emendando que, por outro lado, alguém cujo contexto financeiro é mais favorável tende a ter maior poder de escolha.
 
Já o presidente da consultoria Caliper, José Geraldo Recchia, acredita que não há retorno financeiro que perdure sem que o profissional faça o que goste. “Obviamente que mesmo aquele que está no emprego pelo salário deve gerar resultados, se não ele não estaria ali e nem teria sido promovido ao longo do tempo”, pondera. “Mas a minha pergunta é: será que o profissional não poderia ser brilhante em outra carreira?”. Mas a dúvida que persiste é se adianta ser um profissional brilhante com um contracheque fosco. “Tem gente que claramente vai optar pelo trabalho que paga mais”, afirma o professor Ribeiro. “Só que o dinheiro, em determinados espaços, fica sendo um assunto meio tabu. Há uma série de valores associados a ele. Aquela história de que fulano ‘se vendeu para o capital’, enfim, questões ideológicas também.”
 
Para outros, o retorno financeiro pode trazer, sim, motivação profissional. “Não sei se o dinheiro compra a felicidade, mas tem até aquela piada de que ele não traz, mas manda buscar (risos)”, brinca Recchia. “O fato é não é fácil arrumar um argumento contra o dinheiro, porque para muitas pessoas ter coisas é igual a ser feliz.” Recchia analisa que, muitas vezes, o poder aquisitivo que o dinheiro traz acaba se misturando com a realização pessoal do indivíduo no trabalho. Embora não perca o romantismo e afirme que “a gente nunca pode deixar de considerar o brilho nos olhos na hora que a pessoa fala de trabalho. É ele que mostra o que uma pessoa gosta de fazer profissionalmente.” Na visão do psicólogo do trabalho da USP, há de se considerar também que o dinheiro não proporciona apenas bens materiais. Há muito de intangível nesse jogo. “Quem ganha muito bem não está no jogo só pelo dinheiro em si”, afirma. “Tem a posição, o prestígio, o status social, uma série de coisas que vêm junto com ele.”
 
Job match
 
Não há dúvida que o melhor dos mundos é quando o profissional consegue encontrar sua vocação justamente no emprego que paga bem. “É o que chamamos de job match, ou seja, o encontro entre as duas coisas”, explica Recchia. “E eu acredito que as pessoas bem sucedidas em suas carreiras são aquelas que conseguem fazer esse casamento.” É o caso da diretora-executiva da DQS do Brasil Ltda, Dezée Mineiro. Ela garante que, depois de muito refletir, pode responder um sonoro sim quando lhe perguntam se é feliz no trabalho – tanto pelo retorno financeiro quanto pela satisfação pessoal. Porém, afirma que, sozinha, a motivação financeira não daria conta dessa felicidade. “Não sei como pode se sustentar o sucesso profissional de uma pessoa que trabalha só por dinheiro”, avalia. “Existem outros pilares que sustentam uma motivação”, diz.
 
Mas Dezée está longe do desapego material, pois, na sua matemática, ser um profissional de destaque é também um dos caminhos para um bom salário. E nenhum problema quanto a isso. “Se a sua companhia está satisfeita com você, gosta do seu trabalho, sabe que você dá resultado, por que motivo ela não olharia o seu salário?”, questiona a executiva. O conselho de Dezée é o foco na excelência de cada tarefa, sem se deixar obcecar por onde quer estar amanhã ou quanto quer ganhar no futuro. “A diferença é você fazer mais do que o possível”, aponta.

*Esta matéria foi publicada pelo Canal RH em 26 de dezembro de 2012.

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