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07/02/2013

Carreira x Vocação

Com a quantidade de novas atividades, profissões, carreiras, desafios e oportunidades que surgem no universo do trabalho, já não podemos imaginar uma carreira, e até mesmo uma vocação, que dure e sirva para toda uma vida.  Especialmente se imaginamos que a busca exige encontrar algo que permita dar sentido à própria existência.

Com as perspectivas do crescente aumento da longevidade, é inevitável que tenhamos que enfatizar, cada vez mais, a condição e capacidade de nos reinventarmos muitas vezes — sempre de  forma dinâmica e permanente.

Isso, no entanto, não se limita ao mundo corporativo na perspectiva do emprego formal, mas deve também considerar o sonho e o desejo de empreender, como uma das formas de criar o próprio emprego, trabalho ou ocupação. Sempre que possível, no entanto, isso deve ser por verdadeira e autêntica vocação.

É bom resgatar a origem da palavra “vocação”, que se origina do latim e significa “chamamento”. Ou seja, aquilo que é proveniente da alma. Enquanto isso, o foco específico no que se refere à busca de uma carreira está, infelizmente, muito centrado na ideia do trabalho ou ocupação profissional. Nem sempre se examina a carreira numa perspectiva mais ampla da vida, considerando todos os demais papéis que vivemos como cidadão, pais, cônjuge entre outros.

Segundo o psicanalista James Hollis, construir um viver é a parte fácil; muito mais crítico é o que nos liberta dos limites da nossa família e história cultural. Que valores, que maneiras de pensamento crítico e de avaliação perspicaz possuímos para enriquecer nossas vidas? Que compreensões da história nos permitem escapar de suas repetições compulsórias? Que desenvolvimento e diferenciação de personalidade nos levarão por meio de todos os dias de nossa juventude?

De acordo com ele, “os homens, em particular, são condicionados a pensar em si mesmos como sinônimos do seu trabalho. Por isso é que demissão, diminuição de salário e aposentadoria quase sempre produzem uma profunda depressão... As mulheres, em geral, são diferentes, tem consciência muito mais aguda da realidade interior e emocional... sendo que a maioria luta heroicamente para equilibrar o mundo das responsabilidades domésticas e o das responsabilidades profissionais. E muitas vezes sem um cônjuge compreensivo e apoiador.”

Fica  muito claro, portanto, que as escolhas são um compromisso individual e indelegável. É importante também que, em nossa condição de pais, fica claro o quanto devemos proporcionar aos nossos filhos a capacidade de eles próprios assumirem os destinos de suas vidas tanto na perspectiva da carreira como na da vocação. É o preparo para a vida, que a educação formal, por si só, não oferece.

Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria – transição de gerações. Atua como consultor e palestrante no Brasil e no exterior. É articulista e autor de 16 livros sobre empresas familiares, sociedades empresariais e qualidade de vida. Cursou filosofia na Faculdade Anglicana de Teologia, em São Paulo. Trabalhou por sete anos em projetos de desenvolvimento comunitário da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) no México e no Peru. Coordenou a área de recursos humanos nas empresas Kibon, DOW Química e Villares.

*Este artigo foi publicado pelo Valor Econômico em 5 de fevereiro de 2013.

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