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14/01/2014

Os homens do RH

Foi em Paris, em julho de 2009, quando estava expatriado havia mais de dois anos, que o engenheiro Ilder Camargo, então diretor técnico de Stainless Europe da Aperam South America, recebeu o convite para assumir a diretoria de RH para o Brasil e a América Latina.

A mudança foi uma surpresa para o executivo que tinha trilhado toda a
 homens. De acordo com a pesquisa Top Executive Compensation, feita com 322 empresas pela consultoria Hay Group, a concentração de mulheres no RH vem diminuindo, especialmente quando consideramos o primeiro nível.

O estudo aponta que, em 2008, 21% das executivas participantes da pesquisa ocupavam a diretoria de recursos humanos. Em 2013, essa fatia caiu para apenas 14%. Sim, uma das explicações para esse fenômeno é o fato de mais mulheres terem optado por carreiras em outras áreas da empresa.

Mas a principal razão da evasão feminina do RH é a busca da própria companhia por profissionais de outros setores — já dominados por homens — para assumir a gestão de pessoas. Segundo Daniela Simi, diretora do Hay Group, há dez ou 15 anos o RH era muito mais feminino porque estavam lá pessoas oriundas do curso de psicologia, historicamente escolhido mais pelas mulheres. E isso mudou. 

Se, antes, os psicólogos — como lembra Daniela — eram os mais cotados para liderar a área, hoje os administradores de empresas — e entram aí também os engenheiros — são os preferidos. 

Mudança de perfil

Segundo o último levantamento feito pela Fundação Instituto de Administração (FIA) na pesquisa que dá origem ao Guia VOCÊ S/A — As Melhores Empresas para Você Trabalhar, 24,7% dos líderes de RH são administradores de empresas. Em segundo lugar, aparecem os psicólogos e em terceiro — e crescendo — os engenheiros. 

Na relação dos 22 vencedores do Prêmio VOCÊ RH — Profissional do Ano (13 homens e nove mulheres), por exemplo, a maioria (sete profissionais) graduou-se também em administração de empresas. Apenas cinco fizeram psicologia — todas mulheres. 

Rodrigo Saez, diretor de recursos humanos da Lenovo Brasil, que construiu toda a carreira em RH e acompanhou de perto essa transformação, acredita que a busca por uma nova formação de profissionais para assumir o RH é consequência da nova função que vem sendo exigida da área.

Antes mais focado na relação humana, hoje o líder de RH precisa saber ler um planejamento estratégico e traduzir pessoas em números. “Há 15 anos, éramos um departamento de pessoal que pagava férias e salário e cuidava do desligamento das pessoas”, afirma Saez.

“Hoje, definimos métricas para avaliar resultados e pagar os profissionais por meritocracia, desenvolvemos competências e habilidades e fazemos a conexão de tudo isso com o entendimento do negócio.”  

A busca pela diversidade nas áreas corporativas também contribui para a migração interna de profissionais. Há cada vez mais empresas estimulando a troca de pessoas entre departamentos. Além de mesclar perfis e juntar competências, esse movimento é usado como ferramenta de desenvolvimento — e, claro, estímulo para a carreira.

“Nós trouxemos gente de negócios para cá e também colocamos pessoas de RH em outras posições”, diz Miri, da Whirlpool. Em sua área, os cargos de gerência e gerência-geral já são 54% ocupados por homens e 46% por mulheres. 

Área mais atraente

Há ainda uma terceira e recente razão para essa invasão masculina no RH. A partir do momento que a área de recursos humanos caminha para um lugar mais nobre nos corredores corporativos, ganha visibilidade e tem seu salário equivalente ao de outros setores, os homens também começam a se interessar mais por essa migração.

Antes, segundo Renata Wright, gerente de divisão de RH da Michael Page, a área de RH era considerada o patinho feio das estruturas organizacionais, e os homens mais ambiciosos fugiam para as linhas de negócio — que ofereciam mais status e pagavam mais.

“O público masculino sempre foi mais arrojado e ambicioso, e, por isso, a área acabava ficando com mais mulheres”, diz ela. “Hoje, o RH passou a ser uma alternativa, e não apenas uma consequência na vida dos grandes executivos.” 

Tanto é verdade essa afirmação que — se antes — os executivos eram convidados a mudar de área, e muitos se sentiam até contrariados com essa proposta, hoje, há quem peça para ir para o RH. Miri, da Whirlpool, foi um deles.

Depois de quase três anos em suprimentos e uma carreira inteira em supply chain e logística, ele enxergou o RH como o melhor movimento de carreira. “Percebi que a gestão de pessoas influencia mais a entrega do que a eficiência técnica”, afirma. 

O mesmo raciocínio teve Souza, da Gol, que não caiu de paraquedas na área. Ele já tinha acumulado experiência em fábricas da Ambev e negócios do Itaú Unibanco quando foi para a Gol montar uma diretoria de serviços compartilhados. Logo sinalizou para a companhia que gostaria de assumir o RH.

Engenheiro de produção e com indicadores na veia, seu sinal era mais do que a empresa esperava. “Eles já queriam alguém que não tivesse carreira tradicional na área, com visão e experiência em gestão de negócios”, diz Souza. Um ano depois, portanto, chegou o convite. 

Linguagem de negócio

Apesar de a migração de homens de negócio para o RH ser uma tendência, isso não quer dizer que profissionais oriundos da área estão fadados a estacionar na carreira — sem assumir o topo da área.

Aqueles que estão começando em RH e desejam trilhar esse caminho devem saber, no entanto, que o perfil desse profissional mudou, e, se não passava pela cabeça ter de discutir processos, números e estatísticas, é melhor repensar sua trajetória. Os que já estão no meio do caminho também podem planejar o futuro na área — desde que, claro, aprendam a língua que todos estão falando hoje: a do negócio.

*Esta matéria  foi publicada no Site Você s/a

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