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20/09/2012

Operação Terceiriza-se

Você já pensou em oferecer serviços ou pessoal para empresas que terceirizam departamentos? Saiba que essa pode ser uma boa investida. Entenda os motivos e conheça quem acreditou e colhe os frutos disso.

Segundo dados do último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 22% de todos os trabalhadores com carteira assinada no país são funcionários de empresas prestadoras de serviços especializados, ou seja, as terceirizadoras de serviços ou mão de obra. No ranking mundial, o Brasil aparece como o quarto maior nesse segmento, ficando atrás dos Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Estatísticas revelam que o setor é uma alternativa interessante para investimentos, tanto que mesmo com as cerca de 32,5 mil empresas, ainda existe espaço para o surgimento de novos negócios. É um mercado que cresce a cada dia e vem se expandindo na mesma velocidade do crescimento econômico brasileiro.

Ser sócio de uma prestadora de serviços terceirizados é sem dúvida um grande desafio que exige até mais atenção do que quando se dirige um empreendimento comercial ou industrial, é o que garante o diretor da Nossa Gestão de Pessoas e Serviços, Emílio Morschel. Pela natureza da prestação de serviços, o atendimento é específico e personalizado. Normalmente o atendimento é prestado no local da empresa do cliente, o que exige cuidados e atenções redobrados. “Cada cliente quer ter o profissional prestador de serviços adaptado à sua cultura organizacional, a seu funcionamento como horário, condições e ferramentas de trabalho, forma de agir e produzir”, explica Morshel.

De olho no mercado

Para quem pensa em investir em empresas que terceirizam serviços é bom ficar atentos a alguns detalhes. Segundo Emílio Morshel, da Nossa Gestão de Pessoas, não existe segmento que se destaque como mais promissor. De uma maneira geral em vários mercados existem oportunidades para terceirização. Hoje no mercado destacam-se as empresas de atendimento call center. “Este não é um mercado para amadores aventureiros. Necessariamente há que se ter bastante experiência e conhecimento do segmento”, encerram.

Ele diz que a remuneração e os programas de benefícios também precisam ser coerentes com os das empresas contratantes, já que isso não pode ser maior nem menor com os oferecidos aos empregados efetivos.

E, apesar das grandes dimensões do mercado de terceirização, ainda existem os velhos questionamentos quanto a legitimidade e aceitação dos sindicatos de categorias que relacionam o modelo à precarização do trabalho. Isso ocorre porque alguns contratos firmados não garantem as justas condições de trabalho e remuneração. Assim, entendo que os sindicatos cumprem o seu papel social ao acompanhar, questionar e denunciar esses contratos. Por outro lado, quando o contrato assegura todos os direitos trabalhistas e condições ao trabalhador não há o que se possa questionar”, justifica Morshel.

O especialista conta que alguns mitos são pulverizados no mercado, que reforçam esse desconhecimento em relação a terceirização: o principal é a falsa relação com a imagem de que o modelo causa uma série de males trabalhistas. Dados do Instituto de Pesquisa Manager (Ipema) mostram que a quantidade de casos julgados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) está apenas em quarto lugar com 9,6%ficando atrás do setor da indústria (20,1%), do sistema financeiro (15,1%) e da administração pública (11,8%).

Terceirizando consultoria

Quando nasceu em 2008 a ba}Stockler oferecia suporte à gestão , planejamento estratégico e formação de franquias , mas, a princípio, não estava focada na expansão das redes e sim na preparação das empresas para o crescimento. A consultoria seguiu o mesmo caminho e passou a atender grandes clientes como a Hope, Authentic Feet,Tennis Express e Lessô. “Nossa área de expansão de redes de franquia se desenvolveu a partir da demanda dos nossos clientes em assumirmos também esse departamento dentro das empresas”, explica a sócia-diretora da ba}Stockler, Angelina Stockler.

As perspectivas de crescimento atingem a marca de pelo menos 20% ao ano, aproveitando o boom do mercado de franquias que só no ultimo ano cresceu 17%. Atualmente, a empresa conta com 26 projetos em andamento simultaneamente. Um sucesso que a executiva atribui ao modelo adotado. Ao oferecer projetos personalizados é possível transformar custos fixos em variável até que se estabilize a demanda pelo serviço, bem como diminuir o investimento em equipamentos e instalações de forma a manutenção do negócio. “O cliente tem que perceber valor no serviço oferecido e para isso é necessário a elaboração de um estudo dos custos do investimento em preparar e implantar o departamento a ser terceirizado, levando-se em conta também a qualidade do serviço”, justifica Angelina que acredita em um momento positivo para o segmento de terceirização já que existem muitas empresas novas que estão crescendo.

Impulsionado pelo modelo

O serviço de terceirização só foi inserido no portfólio da farmacêutica Blanver, 12 anos após o início das operações. A mudança da indústria se deu quando foi percebido um nicho importante de atuação. “Muitos laboratórios optam por terceirizar a fabricação de seus medicamentos, completas ou etapas do processo, porque não compensa financeiramente montar uma linha de produção para a manipulação de determinadas fórmulas”, justifica o diretor-presidente da Blanver, Sérgio Frangioni, que explica que alguns laboratórios contratam a empresa para fazer o processo de embalagem do medicamento, uma vez que para eles não é viável ter esse processo in loco.

O processo de terceirização teve início em 1996, com medicamentos sólidos orais. Na época, a Blanver atendia laboratórios privados e alguns que atuavam no setor público, por isso, decidiu ampliar o leque de atuação e se preparar para participar de licitações públicas para atender os laboratórios oficiais. Hoje, a companhia conta com duas fábricas, ambas no estado de São Paulo: uma em Itapevi e outra em Taboão da Serra. O executivo lembra que durante o processo de mudança foi preciso mostrar aos clientes que o negócio era conhecido. “A demanda por esse tipo de serviço é alta e vejo um potencial de crescimento muito grande. Queremos diversificar nosso portfólio de terceirização porque ainda não atendemos todos os setores. Queremos atuar no segmento de hormônios e medicamentos oncológicos”, revela Frangioni.

No mercado farmacêutico a vantagem da terceirização se dá por dois motivos: o primeiro por fazer a transferência do custo fixo para variável e segundo por não correr o risco de ter uma grande estrutura para produzir um único produto e ter ociosidade na fábrica. Frangioni garante que ainda existem muitos paradigmas no setor e falta de confiança por parte das empresas. “Isso só muda quando todos os prestadores de serviço passarem a cumprir prazos e entregar exatamente o que se propôs a fazer. Acredito que para laboratórios, só seja interessante ter linhas de produção interna quando a taxa de ocupação é de pelo menos 70%. Do contrário é muito mais vantajoso terceirizar”,opina.

Gestão terceirizada

Independente do tipo e do tamanho, toda empresa precisa de cuidados na administração financeira. São previsões e análises, fluxos de caixa, controles de pagamentos, conta a receber dos clientes e a pagar para fornecedores, relatório... Enfim, uma infinidade que requer um departamento especifico e profissionais dedicados. Qualquer erro pode prejudicar o crescimento do negócio.

Uma necessidade associada a uma percepção que resultou na criação da Setor i, uma empresa que oferecesse serviços de gestão, administração e financeira. O sócio diretor da Setor i, Erick Krulikowki, conta que ao longo da carreiras viu muitos empreendedores, tanto da área cultural e social quanto empresariais, que necessitavam de um apoio na gestão de questões básicas. “Esses empreendedores são muito bons nas suas atividades fins, na articulação e na venda, porém, nas rotinas diárias financeiras e administrativas eles perdem muito tempo ou não têm paciência o suficiente para realizar um controle confiável e eficiente”, justifica.

Antes de iniciar esse trabalho, às vezes, é necessária uma imersão na organização por meio de consultoria para entender mais os cenários, os mercados, os processos já existentes, os controles e a existência de um plano financeiro anual. ”Existe uma questão cultural de muitos empreendedores de querer ter o controle sobre as pessoas e não sobre os processos e resultados. Terceirizar significa ter limites, escopo de trabalho definido e controle, o que nem sempre agrada ao empreendedor”, comenta o executivo. Atualmente a Setor i tem quatro funcionários e faturou no ano passado R$250 mil. A meta para 201 é acrescer ainda mais e fechar o ano com R$400 mil. “É preciso investir em uma relação não somente de negócios, mas também entender que você faz parte da cadeia de valor dele e, portanto, tem muita responsabilidade”, opina o diretor da empresa.

No mundo dos softwares

Na lista de serviços terceirizados entram ainda aplicativos para internet e para o mercado corporativo. Para se ter um desenvolvedor exclusivo dentro da empresa, os custos podem ser mais altos e a assertividade nem sempre a esperada. Com apenas dois anos de existência a HE:labs que trabalha com terceirização desde o início, mudou o processo de venda em dezembro do ano passado com a entrada de um novo sócio. “Mudamos nosso processo comercial e hoje não vendemos software da mesma forma que bens materiais são vendidos. Isso assusta alguns clientes, pois é uma forma a qual o mercado não está acostumado. Existe todo um trabalho de conscientização que fazemos a cada venda. Se mesmo assim o cliente se recusa a comprar o software como deve ser, nós recusamos o projeto”, garante o sócio da empresa, Sylvestre Megulhão.

O executivo explica que gerir o processo de desenvolvimento do software é um trabalho custoso e que requer habilidade técnica e interpessoal. Alguns clientes já tiveram equipes internas de desenvolvimento de software, mas hoje reconhecem que delegar isso para terceiros é uma decisão estratégica pertinente. “Infelizmente isso não é a realidade de todo o mercado. Ainda é comum empresas que montam equipes de projeto sem qualquer capacidade para tal. Normalmente o resultado disso são projetos custosos e que não atingem os objetivos esperados”, acrescenta Mergulhão.

Mesmo pequena no tempo de atuação, a empresa já acumula números expressivos. As perspectivas para o fechamento de 2012 são de ter 20 funcionários, oito projetos paralelos e faturamento de R$2,3 milhões. “Alguns amigos, também empresários, já nos perguntam sobre como conseguimos crescer tão rápido. Não há segredo. São décadas de experiência no setor, o que nos proporcionou entrar no mercado de forma arrojada, com uma proposta diferenciada”, argumenta o empresário que diz ainda que a principal vantagem de terceirizar demandas tecnológicas é que dessa forma não se precisa investir pesado em capacitação e treinamento de pessoal.

RH nas mãos de terceiros

O mercado de terceirização do mundo cresceu e amadureceu, a ponto de tornar-se um setor estratégico para empresas de todos os segmentos. No Brasil, quando a ProPay –  empresa especializada em prestação de serviços de RH – ,foi criada, em 1999, esse mercado ainda estava ligado ao setor de telecomunicações e infraestrutura. Por isso, os fundadores vislumbraram que a área de RH poderia absorver a proposta de negócio apresentada pela ProPay. A empresa foi pioneira ao oferecer serviços até então inéditos no mercado brasileiro, como gestão de folha de pagamento e gestão de área de benefícios, complementada como consultoria aos clientes.

Para a diretora de marketing e novos negócios da ProPay, Sandra Souto, o mercado brasileiro, comparado com o de outros países, apresenta ainda um potencial enorme de crescimento. Só que existem muitas lideranças de RH focadas em processos de folha de pagamento. “Essa visão não condiz com a realidade dos RHs modernos, que necessitam estar mais envolvidos com a estratégia. Isso não quer dizer que o Departamento Pessoal não tenha relevância. Pagar os colaboradores na data correta e com valores corretos é uma premissa muito importante para uma empresa que deseja garantir a sua reputação”, esclarece Sandra.

Acompanhando o crescimento do emprego formal no país, as perspectivas para a ProPay são de ampliação do portfólio de clientes e serviços. “Não se pode cobrar qualidade e excelência sem acordos muito bem definidos, principalmente aqueles que envolvem muitas variáveis e diferentes interlocuções”, acrescenta.

Esta matéria  foi publicada na revista Gestão&Negócios, nº46.

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