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13/05/2015

Netburning: como usar as redes sociais sem prejuízo de imagem

Vida profissional é uma coisa. Vida pessoal é outra. Será que essa divisão é mesmo tão clara? Para o consultor Scher Soares, precisamos lidar com o fato de que a maneira como nos expomos nas redes sociais pode afetar, sim, nossa vida profissional.

Que condutas nas redes sociais podem ser prejudiciais à carreira? O que fazer diante da tentação de escrever um post de desabafo? E quando o estrago já foi feito? O consultor responde a essas perguntas na entrevista a seguir.

Você já tomou contato com muitos casos de pessoas que se prejudicaram profissionalmente por causa de fotos e posts em redes sociais? Poderia citar alguns exemplos de má conduta?

Sim. Como estou envolvido em muitos projetos de consultoria e treinamento, quase todos os dias participo de discussões em que são citados exemplos da vida real. Casos de funcionários que têm sua imagem prejudicada por posts que acabaram vistos por superiores ou por outros membros da empresa. O comportamento das pessoas nas redes sociais deve ser coerente com suas identidades profissionais.

Como exemplo, posso citar o caso de uma profissional que, prestes a ser contratada, não teve seu contrato efetivado porque o empregador encontrou em seu perfil muitas fotos com bebida alcoólica. O contratante achou que aquilo transmitia uma imagem incompatível com a seriedade que ele precisava da profissional. É uma questão polêmica, que dá muita margem para discussão, mas o fato é que há impacto. O profissional pode escolher assumir o risco, “bancar” qualquer tipo de consequência – mas, se ele não estiver disposto a isso, o ideal é ser mais prudente.

Quando pensamos em netburning, geralmente nos vem à cabeça aquele caso clássico do funcionário que fala mal do chefe ou da empresa. Mas a falta de bom senso nas redes sociais acaba indo muito além disso, certo? Como, por exemplo, um funcionário que acaba publicando informações internas da empresa...

A rede social é um ambiente tentador. As pessoas estão muito bem equipadas com seus smartphones e cada momento do dia é uma oportunidade para um post. Nessa avidez por postar, muitas acabam fazendo anúncios precoces. Por exemplo: o profissional está em uma reunião de trabalho em que há alguma apresentação institucional da empresa. Então, ele decide fazer um post que leva junto alguma informação que ainda não deveria vir a público. Essa informação poderá ser usada por outras pessoas, sobretudo por concorrentes. No caso de um profissional da área de vendas, por exemplo, que decide escrever posts sobre visitas de relacionamentos com clientes: se ele tem concorrentes na rede social dele, ele está no fundo expondo questões de estratégia. Alguns profissionais seguem perfis de seus concorrentes justamente porque eles podem ver quem esses concorrentes estão “assediando” e de quais eventos eles participam.

Como a empresa deve agir para evitar casos como esses?

Existem dois componentes decisivos. O primeiro diz respeito ao que chamamos de compliance, ou código de conduta, que é a dimensão mais formal do processo: quais são as regras de cada empresa sobre o que pode e o que não pode, o que deve ou não deve ser publicado? Esse alinhamento deve ocorrer na contratação, no momento em que você designa alguém para assumir uma determinada função, porque assim você evita problemas ou erros por falta de informação.

O segundo componente está ligado ao aspecto mais comportamental e social do processo, menos sujeito a um código de conduta. Não há um código dizendo se você pode ou não postar uma foto num bar com seus amigos. Mas cabe ao gestor de pessoas estabelecer algum alinhamento ou aconselhamento sobre os impactos dessas questões. A rede social é, para muitas pessoas, um ambiente de desabafo, onde elas extravasam aquilo que elas precisam conter dentro do ambiente profissional. Mas esse ambiente é incontrolável. Se eu tenho que conter algo dentro das paredes da empresa, por que eu não tenho que contê-lo também dentro das “paredes virtuais”?

Por exemplo: a pessoa participa de uma reunião e, então, acontece alguma coisa que a desagrada – ou ela é pressionada, criticada, ou ela não concorda com determinado tema. Ela volta para o computador e faz um post desabafando. Na rede social estão pessoas da mesma empresa que participaram da mesma reunião e que sabem exatamente do que ela está falando. Esse post ganha vida própria – ele foi lido, interpretado e, a partir daí, o controle do autor sobre ele é praticamente zero.

Que orientação você daria para aquele funcionário que passa por um momento de raiva no trabalho e se vê tentado a fazer um desabafo nas redes?

Acho que as respostas são as mesmas de quando ainda não havia rede social. Recorrer ao famoso “contar até dez” e pensar: você falaria isso publicamente? Se a resposta é não, evite postar na rede social. Ter dúvidas se um post é 100% seguro é um sintoma de que pode haver risco. É como no caso do e-mail: se você pretende escrever algo num momento de raiva e frustração, escreva primeiro para si mesmo o que você mandaria para alguém. Assim, você pode avaliar se pesou a mão. Uma vez enviado o e-mail, você perde o controle sobre a mensagem.

E que orientação daria para aquela pessoa que passou por uma situação de netburning, que em algum momento “se queimou”? Como reduzir os danos?

Isso depende muito da intensidade do dano. Existe uma palestra da Monica Lewinsky em que ela diz que foi a paciente zero da difamação em escala global. Evidentemente, poucas pessoas passam por um dano desse nível. Mas, quando alguém passa por um problema de netburning em menor ou maior escala, algumas coisas são fundamentais. A primeira é não tentar transferir a responsabilidade para os outros, ou seja, entrar num processo de autodefesa, contestando a opinião pública, pois isso será gasolina para o incêndio. Em segundo lugar, na hipótese de ter havido alguma falha de conduta ou de comportamento, assumir a responsabilidade costuma aplacar a movimentação na internet. Quando alguém diz “cometi um erro”, isso reduz muito a energia de difamação ou viralização.

O terceiro conselho é dar um tempo. A internet tem essa capacidade de transformar um fato local em global, mas ela também funciona como um fogo de palha. Quarta e última recomendação: se aquilo ficou impregnado na imagem da pessoa, se está nos resultados de buscas, ela pode transformar o ocorrido em um case, no qual ela mesma faça uma análise do que aconteceu e explore os aprendizados que teve com a situação. Ela estará dizendo: todos somos fruto da nossa experiência, das coisas boas e ruins que fizemos, das boas e más escolhas - e apenas algumas delas acabam tendo um impacto ou uma repercussão maior. Quando a situação é vista como aprendizado, as pessoas tendem a ser muito mais tolerantes.

E quanto ao WhatsApp, em que nos comunicamos em grupos ou com pessoas específicas? Ele pode ser considerado um ambiente tão público quanto as redes sociais tradicionais?

O WhatsApp funciona de maneira diferente. O maior risco dele são as imagens de si mesmo que você pode vir a compartilhar. O que as pessoas precisam de fato compreender é que elas não têm controle de nada a partir do momento em que fazem o primeiro envio. Então, você pode fazer uma brincadeira particular num grupo de quatro amigos, mas mesmo ali é possível ter uma perda de controle absurda. Uma outra questão em relação ao WhatsApp é a necessidade de tomar cuidado com o excesso: imagine o funcionário cujo celular passa o dia inteiro vibrando com mensagens. Certamente em algum momento as pessoas vão questionar, ainda que silenciosamente, a capacidade dele de manter o foco e a produtividade.

Como um profissional pode usar as redes sociais a seu favor?

A rede social é uma grande alavanca de imagem. A regra é coerência: alinhar o tipo de exposição que você tem no ambiente on-line com a imagem que você deseja construir. Se você quer ter uma imagem associada a profissionalismo, seriedade, iniciativa, participação, dinamismo, sua contribuição precisa ser compatível com isso. Profissionais que querem ser bem vistos dentro da empresa não podem estar o tempo todo engajados em discussões incompatíveis com o que desejam.

Exemplo: um funcionário que foi desligado da empresa faz um post sobre isso. Então, algumas pessoas que trabalham nessa mesma empresa fazem interações arriscadas – concordando com o posicionamento do funcionário que saiu, fazendo afirmações de que nem sempre as empresas tomam as melhores decisões... Esses comentários serão lidos por colegas e superiores. Então, imagine o diretor que tomou a decisão de desligar o funcionário x vendo um comentário do funcionário y, que ainda trabalha na sua equipe, apoiando o funcionário x contra a empresa. É um nível elevado de exposição.

Outro exemplo: o caso de um funcionário novo de casa, que por algum motivo tenha ou crie um grande vínculo com o chefe. Nesse contexto, ele exagera na participação em redes sociais evidenciando esse relacionamento “privilegiado”. Por mais legítimo que seja, isso provoca ciúmes nos outros funcionários, gera desafetos que passam a trabalhar contra a imagem dele. Essa é uma situação muito comum: alguém falar mal de uma pessoa usando o próprio post contra ela. Você sabe quantos likes o seu post teve, mas não quantos “dislikes”. Se dez ou 20 pessoas não gostaram do que você escreveu, isso gera um movimento que pode atuar contra você.

Fonte: Melhor Gestão de Pessoas

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