Gente&Conteúdo

06/03/2014

Inove já: crie uma organização ambidestra

Por que é tão difícil promover uma cultura de inovação nas organizações? Tenho certeza de que esta é a principal pergunta que líderes organizacionais fazem a si mesmos quando precisam buscar algum diferencial competitivo baseado em inovação. De fato, não dá para entender por que é tão complicado colocar em prática um dos temas mais valorizados hoje. As grandes organizações possuem recursos financeiros, talentos humanos, acesso à tecnologia e ampla rede de informações - todos os requisitos para gerar inovações de alto impacto, não só tecnológicos e de produtos, mas também de processos e serviços.

O problema está nas estruturas complicadas e pesadas que essas companhias acabaram desenvolvendo com o tempo. Milhares de funcionários espalhados por centenas de unidades de negócio, ao longo de diversas regiões do mundo, produzindo uma grande variedade de produtos, por meio de processos que se tornaram burocráticos com o passar do tempo. De fato, não é fácil manter operando com eficiência uma máquina tão complexa quanto uma grande organização.

Em uma cultura de inovação, as pessoas se sentem livres para modificar processos e derrubar estruturas em favor de operações mais simples e de menor custo. Podem ainda redesenhar produtos, repensar a cadeia de valor, estabelecer novos parâmetros para fornecedores e parceiros, desenvolver novos mercados, explorar novas funcionalidades em produtos e matar as vacas sagradas que impedem mudanças positivas e significativas. Conseguir implantar uma cultura de inovação é o sonho de todo CEO.

Acontece que, ao longo dos anos, o que se promoveu nas organizações foi justamente o contrário: uma cultura de preservação e eficácia, por meio da melhoria contínua de processos e instituições já existentes. Estimulou-se a redução do erro, a eliminação de desvios de procedimentos e o fim da influência de variáveis externas indesejáveis. Eram ações que sempre visavam melhorar o que já existia, tornando o discurso da mudança para favorecer a inovação uma grande contradição.

É por causa dessa busca pela eficácia operacional que um funcionário é condicionado a seguir regras, procedimentos e rotinas; e é penalizado se tentar fazer algo diferente do que foi determinado. É por isso que cada departamento tem controles que devem ser rigidamente cumpridos, pois representam métricas de eficiência importantes para manter o negócio operando com o mínimo de erros. Isso também explica porque as pessoas gastam tanto tempo elaborando relatórios e índices que não geram nada de valor percebido pelo cliente.

Como então resolver este dilema? As empresas não podem abrir mão desses controles. Imagine se um piloto de avião resolver mudar seus procedimentos, ou um engenheiro testar na ponte os novos materiais que ele inventou. Não é possível. O negócio como existe hoje precisa seguir sempre com esta busca constante pela eficácia, qualidade e regularidade. A inovação precisa partir de outra organização, uma organização paralela, regida sob outras regras, que autorizem o que a primeira não permite: a liberdade e a experimentação.

Essas organizações são chamadas de AMBIDESTRAS, pois têm a capacidade de agir com as duas mãos: a direita, que mantém o negócio como está hoje, operando sem grandes mudanças; e a esquerda, que é totalmente diferente e separada da direita, inclusive fisicamente, se possível. Essa organização não tem cartão de ponto para bater, não tem uniforme ou código de vestimenta e a hierarquia não tem tanto poder quando o trabalho em grupo. Coisas impossíveis na organização direita são até esperadas na esquerda. A cooperação é estimulada, assim como a experimentação, os testes e os erros - que são promovidos a ferramentas de aprendizado prático. Não existem salas de diretores, só um amplo espaço aberto que facilita a comunicação, a interação e a cooperação. A estrutura é enxuta, porém altamente maleável, para acomodar diversas configurações de times de projetos, que substituem os departamentos funcionais e os organogramas.

Organizações ambidestras são a resposta para garantir a eficácia da operação existente, ao mesmo tempo em que abrem espaço para a inovação. Quando as inovações são testadas, avaliadas e aprovadas no lado esquerdo, são então estruturadas e incorporadas com as devidas adequações e cuidados na organização direita. É o isolamento entre as duas estruturas que permite a coexistência de atividades de natureza tão díspares quanto conflitantes. As pessoas são escolhidas de acordo com suas ideias e suas competências empreendedoras e criativas. Alguns profissionais da organização direita podem ter boas ideias e desenvolvê-las na organização esquerda, assim como alguns profissionais que desenvolveram suas ideias na organização esquerda podem migrar para a organização direita, afim de implantar e operacionalizar seus projetos.

Existem outros caminhos para implantar uma cultura de inovação em uma grande empresa. Mas a organização ambidestra é, de longe, a mais pragmática e rápida estratégia de inovação - e, por isso mesmo, cada vez mais adotada por empresas do mundo inteiro.

*Esta matéria  foi publicada no Site Pequenas Empresas Grandes Negócios

Clientes

Conheça quem hoje faz a história da ProPay ser um sucesso.

Nidera Par Corretora de Seguros Pamcary Grupo Libra DeVry Brasil Rocket Lachmann Canal Rural Grupo Flytour Valeo Covidien Junior America Sabó Mercedes Benz
http://www.propay.com.br/