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26/08/2014

Estresse

André Caldeira, fundador e diretor Geral da Proposito, empresa de executive search e desenvolvimento de talentos estratégicos alerta para os riscos que o atual mundo corporativo gera em termos de estresse. 

Quanto custa o estresse?             
Estudos atestam que o custo do estresse profissional nos EUA passa de 300 bilhões dólares ao ano. No Brasil, estima-se que chegue a quase 4% do PIB, ou mais de 80 bilhões de dólares, segundo a ISMA (International Stress Management Association). Além dos custos médios, ligados a tratamentos, internamentos e consultas, os maiores valores são relacionados à baixa produtividade, ao absenteísmo, ao turnover, ao burnout, aos passivos trabalhistas e aos budgets crescentes de treinamento pela perda de bons profissionais para o estresse, por conta da dificuldade de reter e atrair talentos. Isso dói no bolso e na reputação das empresas.   

O que ajuda a aumentar esse estresse? 
Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e a crescente busca por mais eficiência, é natural que empresas se empenhem em atingir metas e entregar bons resultados. E isso só é possível exigindo mais dos colaboradores. Está montado o cenário da panela de pressão corporativa. Somemos a isso a realidade do uso de tecnologias que permitem a mobilidade e o acesso ao trabalho quase 24 horas por dia. Some-se a isso um cenário desafiador, com a economia crescendo muito pouco e as fusões e aquisições. Tudo isso aumenta o estresse. E a competição para os melhores resultados, que podem significar mais reconhecimento e estabilidade para os profissionais. Ou seja, a pressão é de todos os lados.      

E o que é possível fazer para evitar esses problemas?      
Na perspectiva das empresas, o plano de ação passa pela adoção de políticas e práticas que privilegiem ambientes produtivos e saudáveis, que limitem os abusos de horas e de uso da tecnologia e que estimulem um estilo de vida mais saudável. Para isso, diagnosticar o nível de estresse e (im)produtividade dos profissionais é fundamental. O desafio, a partir de agora, está não só na saúde física, mas principalmente na saúde mental, ligada ao crescimento dos índices de ansiedade e depressão, com consequências muito sérias para as empresas.

Há um futuro tenebroso, é isso?  

O mundo corporativo só tende a ficar cada vez mais desafiador: os segmentos de mercado serão cada vez mais competitivos, teremos mais e mais fusões e aquisições, um mercado de capitais mais exigente, que torna os índices de eficiência públicos e estabelece novos benchmarks para as empresas, o uso crescente e exacerbado de tecnologias móveis, funis e competição ferrenha pelos melhores empregos, avaliações e análises comparativas para progressão de carreira e assim por diante.              
Mas podemos escolher: respeitar nossos limites, administrar bem o tempo do trabalho para ter mais produtividade e menos procrastinação, buscar mais tempo de qualidade na vida pessoal para poder lidar melhor com as pressões crescentes.

E as pessoas, na sua opinião, como lidam com o estresse nas empresas? 

O grande problema é a forma irresponsável com que a maioria dos profissionais lida com o estresse, como se fosse um machucado crônico que incomoda, mas que não há o que fazer. É papel da empresa atuar na correção e na prevenção dessa situação. O profissional deve aprender a utilizar a mesma disciplina aplicada na carreira (e que muitas vezes é a causa de estresse) para a vida pessoal, criando momentos quase que obrigatórios de cuidado pessoal: tempo com a família, desligamento do trabalho, exercícios físicos, silêncio interior, mudança de canal cerebral, etc. Isso deve ser tão importante quanto os resultados gerados por ele para a empresa. É o que chamo de “EuCorp”: somos todos tão gestores de nós mesmos como de nossas carreiras.

Muitas organizações oferecem programas voltados à qualidade de vida. Eles ajudam?
Eles devem aprofundar esse tipo de reflexão e transformação, indo muito além de espaços bonitos de descompressão e corners de quickmassage, que, aliás, são importantes se utilizados para criar pausas e fomentar a criatividade. Mas é preciso ir além: trabalhar com diagnóstico dos níveis de estresse dos profissionais, estabelecer indicadores, desenvolver estratégias de promoção de saúde que obrigatoriamente envolvam os líderes de equipes e empresas, com foco em saúde, física e mental, bem como produtividade.

*Esta matéria foi publicada no site Revista Melhor Gestão de Pessoas.

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