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20/12/2012

A vez dos indicadores

Se existem pessoas que, hoje em dia, não conseguem viver sem a tecnologia, muitas empresas podem simplesmente viver sem a tecnologia, muitas empresas podem simplesmente parar se a parafernália de equipamentos e sistemas não funcionar corretamente – até mesmo o mais humano dos departamentos de uma organização terá problemas para executar as tarefas mais operacionais sem os recursos tecnológicos. E para facilitar o trabalho de análise e medição dos resultados da área de gestão de pessoas, os fornecedores de tecnologia vêm lançando aplicações para o tratamento de dados e que apresentem as métricas de recursos humanos. Diretor de Tecnologia da Informação da ABRH-Nacional, Mario Kaphan conta que a TI é, cada vez mais, fator-chave de sucesso para quem trabalha em gestão de pessoas. “As aplicações deverão ficar cada vez mais sofisticadas para tratar dados mais complexos e em maior volume”, estima.

Nesse sentido, os fornecedores têm procurado ofertar soluções para facilitar o dia a dia do RH no que tange ao controle e análise das informações, de modo a automatizar o máximo possível os relatórios e construir um mecanismo de inteligência, como adianta Sandra Lucena, diretora de RH, marketing e novos negócios da ProPay. Ela enfatiza a necessidade de a área de gestão de pessoas terem seus fluxos de trabalho – os chamados workflows – bem desenhados e automatizados, pois, se não estiverem em perfeito funcionamento, poderão causar muitos prejuízos  não para a imagem do RH como também para o próprio funcionário – sem contar os riscos trabalhistas. “Ao contrário das outras demandas da empresa, qualquer esquecimento dentro da área de recursos humanos gera multa, uma vez que o governo não tem misericórdia com quem deixa de recolher tributos como FGTS e INSS”, exemplifica. Usar a tecnologia em RH não é mais uma novidade e a gama de soluções para essas áreas é bem extensa. Isso faz pensar se ainda existem lacunas a serem preenchidas. Para Arthur Asnis, presidente do capitulo brasileiro da Associação Internacional dos Parceiros Microsoft (Iamcp Brasil), em nosso país ainda há um espaço grande para investimentos em TI aplicada à gestão de pessoas – apesar , segundo ele, de a tecnologia utilizada por aqui ser relativamente atrasada, especialmente em hardware. “Porque (ela) é muito cara, com pouco acesso e, quando falamos de internet, se fôssemos comparar os carros, aqui andamos de carroça”, diz.
 
Integração
O executivo acredita que, em termos de software, a tendência é a utilização cada vez maior do uso do Learning Management System (LMS), ou sistema de gestão de aprendizagem, para o gerenciamento dos treinamentos que cada funcionário está fazendo. Asnis complementa que, em alguns casos, já há certa integração com outros módulos de Humam Capital Management (HCM, ou sistemas de gestão do capital humano) e, em outros, funcionando de forma independente. “Isso  significa que de um lado, há os HCM e LMS e, de outro, os cursos a distância, que dão possibilidade de usar cada vez mais as tecnologias que estão no chegando ao mercado, como o HTML 5, que é uma linguagem de criação de produtos de aprendizagem. Também há uma ampliação do potencial para usar design e outros recursos”, destaca. Para Asnis, o que está acontecendo no mercado é uma maior proximidade com o usuário, com a oferta de recursos em que há uma interação tão grande, de modo que ele se sinta mais à vontade para fazer os cursos on-line.

Recrutamento e seleção
Desde o lançamento dos primeiros sites de recrutamento, há mais de 15 anos, esse segmento vem procurando criar novidades ao longo do tempo, mas nenhuma grande revolução com a automatização dos processos seletivos. A tônica adotada pelas principais empresas do segmento, atualmente, é a oferta de serviços de consultoria para o desenvolvimento da chamada marca do empregador ou employer branding. As vagas de tecnologia, além de desenvolver projetos de design de páginas exclusivas que podem ser colocadas na área “Trabalhe conosco” dos sites dos clientes ou hospedadas no site de carreiras da empresa, o Vagas.com.br, também realiza mensalmente uma premiação para as organizações que melhor atendem os candidatos. Mario Kaphan, que também é presidente do Vagas Tecnologia, explica que o prêmio Vagas 10 Mais foi criado há quase três anos porque a maior reclamação dos candidatos era a falta  de feedback do processo seletivo. A mecânica da premiação inicia-se  com um questionário enviado aos candidatos que se inscrevem para as posições divulgadas no Vagas.com.br, 30 dias após o término do processo seletivo, para relatarem suas experiências no contato com a empresa. Essas informações são tabuladas e divulgadas mensalmente no site. “Esse prêmio tem uma característica importante porque, além dos 10 mais, todas as empresas recebem um relatório com sua colocação e quantidade de pontos necessária para poder estar entre as melhores”, explica Kaphan. Anualmente, a companhia promove um evento para reconhecer os clientes que tiveram o melhor desempenho ao longo de doze meses. “Também criamos um manual de boas práticas para ajudar nossos clientes a trabalhar bem sua marca no relacionamento com os candidatos”, adiciona o presidente da Vagas. Ele estima que com o lançamento do serviço de consultoria de marca, a empresa deve manter a média de crescimento de 50% ao ano. “Estamos entre as 250 pequenas e médias empresas que mais crescem nos país há quatro anos”, comemora. Para atender a essa demanda, foram criadas duas filiais, uma no Rio de Janeiro (RJ) e outra em Belo Horizonte (MG).
 
A fixação da marca de empregador também é um serviço oferecido pelo Monster desde seu desembarque no Brasil, em 2010. Andreza Santana, diretora de marketing da empresa, conta que a companhia também adota um modelo chamado “recrutamento social”, com forte utilização de mídias e aplicações de redes sociais. Para ampliar os negócios de serviços de recrutamento, o Monster lançou neste ano duas estratégias de abordagem aos gestores de pessoas. A Always On, ou Sempre Ligado, indica que as empresas precisam ser encontradas e estar disponíveis para os melhores candidatos em qualquer tempo. “Esse trabalho nada mais é que um conjunto de peças que garante à empresa ter em seu site uma área “Trabalhe conosco” interligada ao Be Known, que é uma ferramenta de networking do Monster dentro do Facebook, interligado ao site de empregos do Monster. É um ciclo em que os candidatos são alcançados e podem alcançar as vagas a qualquer tempo”, explica Andreza. A outra estratégia é a ON  Demand, que são campanhas dirigidas com foco na marca de empregador, desde a detecção do público-alvo até a identificação dos canais emq eu esse público está, com as mensagens adequadas, a um baixo custo e alto retorno.
 
Feira Virtual

Quem também aposta na criação de sites de coletividade para atrair os melhores candidatos para os clientes é o Trabalhando.com. Segundo Caio Infante, diretor-geral do portal de carreiras, a empresa que anuncia a vaga pelo sistema de gerenciamento de processo seletivo da Trabalhando.com tem a opção de replicá-la para mais de 200 sites com acesso a profissionais vinculados à FGV, PUC-SP, Sindicato dos Engenheiros, Câmara de Comércio Espanhola, entre outras instituições de ensino e associativas.
 
O executivo também destaca outra iniciativa para atrair novos clientes: a feira virtual de recrutamento. Tanto que no próximo ano, a Trabalhando.com deve realizar duas edições, uma em março a outra em setembro, para aproveitar o dois períodos em que  as grandes organizações costumam lançar as campanhas de atração de jovens  para seus programas de estágios e trainees. Infante afirma que o grupo Santander, sócio da Trabalhando.com, cuja sede é no Chile e que conta com filiais em mais sete paísesibero-americanos, fará um aporte de 25 milhões de dólares para ampliação de negócios com vistas a conquistar a liderança do mercado.
 
A Holomática está investindo em duas frentes, também com foco em tecnologia, para oferecer produtos diferenciados em recrutamento e seleção. A consultoria lançou um sistema chamado Quality Assurance Service (QAS), ou Serviço de Qualidade Assegurada, que é voltado para o controle dos processos e serviços de RH, alinhado aos serviços da Holomática. “Com essa ferramenta, acompanhamos os Key performance indicators (KPI ou indicadores-chave de desempenho) e os índices de melhoria contínua dos nossos clientes, explica Eduardo Quadrado, presidente da companhia. Outro segmento em que a Holomática atua é na organização de concursos para autarquias, como o Sebrae e a Agência Investe São Paulo. Nesse setor, Quadrado afirma que não houve muita evolução em termos de tecnologia, já que é necessário estabelecer uma isonomia entre os candidatos . Entretanto, ele ressalta que a  consultoria tem investido na elaboração de provas inteligentes para poder atrair os melhores profissionais.
 
Sistemas de gestão
A principal vedete dos lançamentos feito pelos fornecedores de sistemas de gestão do capital humano (HCM) é o módulo de indicadores de RH. ADP, Totvs, ProPay, Techware e Metadados lançaram ou aperfeiçoaram seus softwares  de tratamento e análise de métricas de gestão de pessoas, dada á necessidade de algumas empresas têm de melhorar alguns indicadores, como rotatividade ou horas extras , por exemplo. Para o segmento corporativo, a ADP lançou um módulo para identificação das principais métricas de interesse do gestor de RH e, juntamente com um consultor de atendimento pretende ajudá-lo no acompanhamento desses indicadores ao longo do ano e estabelecer programas de melhoria.
 
Pequenas e médias
Valquíria Cristina da Cruz, gerente de marketing e produtos, afirma que a empresa tem constante preocupação com a conformidade legal e a segurança da informação. “Um dos nossos diferenciais, porque nem todos os clientes trabalham com esse modelo, é o fato de o HR Expert (suíte de HCM da companhia) ser baseado em cloud computing, garantindo acesso remoto, via internet, para os clientes”, detalha. Segundo a executiva, desse modo, a ADP assume a responsabilidade e o ônus operacional do cliente, fazendo o roteamento da solução e dos dados. “Isso garante tranqüilidade, segurança, redução de custos, diminuição de complexidades e proporciona vários benefícios. Valquíria ainda destaca que a ADP vem dando atenção ao mercado de pequenas e médias empresas com uma aplicação que conecta folha de pagamento, indicadores contábeis e relatórios web. Ela afirma que a companhia cresceu 12% em 2011, mas não deu estimativas para 2012 pelo fato de a multinacional trabalhar no regime fiscal americano, que vai de julho a junho.
 
Já a Techware aposta nas interfaces de autoatendimento para descentralizar processos como agendamento de férias e antecipação de 13º salário para ampliar os negócios. José Afonso Dell’ Agnolo, diretor comercial e de marketing, afirma que a empresa deve crescer 18% neste ano, com um faturamento de 16 milhões de reais. Na avaliação dele, a demanda a demanda se dividiu entre novos clientes e a contratação de mais módulos para a suíte de HCM da Techware. “As empresas que conseguiram organizar suas informações e processos agora avançam para programas de gestão e desenvolvimento”, comenta. Ele destaca, ainda, que não há uma tendência sobre o modelo de comercialização dos softwares de gestão. “Empresas que têm infraestrutura de TI forte, mas definiram que esse recurso deve ser destinado ao core business, acabam optando pela utilização do modelo SaaS (software como serviço) e até mesmo o BPO (Business Process Outsourcing), pois elas não desejam gastar energias em processos que estejam distantes do núcleo”, analisa.
 
Integração
Sandra Lucena, diretora de RH, marketing e novos negócios da ProPay, afirma que o gestor de pessoas assimilou melhor a linguagem do mercado de TI  e até já está adotando alguns termos nos contratos, como Service Level Agreement (SLA ou acordo de nível de serviço) e workflows (ou fluxos de trabalho). Por outro lado, ela afirma que falar de cronograma e acordo de serviço é uma normativa no RH, mas impacta muito quando ocorrem  problemas em processos como admissão e demissão. “Quando a empresa demanda a contratação de uma quantidade grande de pessoas, ao tocar no assunto SLA, o gestor de recursos humanos treme. O mesmo acontece para demissões por justa causa que exigem quebra de cronograma e os acordos precisam ter flexibilidade”, exemplifica. Sandra afirma que enquanto os concorrentes dão ênfase à tecnologia, a ProPay dará foco aos serviços. Tanto que uma nova aplicação lançada pela empresa que faz a integração de gestão de benefícios à folha de pagamento, de modo que, a partir de um cadastro único, seja feita a inclusão do funcionário nos sistemas de todos os fornecedores, será oferecida em conjunto com a consultoria de benefícios. “É uma forma de garantir que o cadastro permaneça íntegro, impedindo erros em dados pessoais do funcionário, e de permitir que essa ação seja feita uma única vez, proporcionando um ganho muito grande de produtividade e mitigação de riscos”, detalha.
 
Na Metadados, a posta está na qualificação da equipe, no investimento em infraestrutura e na melhoria de processos, como conta Robledo dos Santos Luza, diretor administrativo  e comercial da empresa. “Além disso, no ano de 2013, vamos utilizar instrumentos de coleta de dados mais precisos e detalhados para medir o nível de nossos produtos e serviços, gerando informações que nortearão as nossas ações futuras”, revela.
 
Educação corporativa
 No que se refere ao mercado de soluções para educação corporativa, Arthur Asnis, presidente da IAMCP Brasil e diretor da Soft Trade, afirma que tem havido um uso mais intensivo de tecnologia na modalidade a distância, seja em educação formal ou informal. Segundo o empresário, hoje existe um bom número de plataformas de colaboração corporativa e cada vez mais as empresas estão usando essas redes internas para promover a aprendizagem – o que acaba, na avaliação dele, se confundindo um pouco com gestão da informação. Um exemplo é o uso de plataformas flexíveis de LSM [Learning Management System] que permitam a inclusão de conteúdos em quaisquer formatos, desde um simples slide de PowerPoint até arquivos de vídeo.
 Gilsinei Hansen, diretor de segmentos da Totvs, afirma que essa solução pode ser adotada por empresas de qualquer parte, pois permite traçar estratégias de capacitação e funcionário pode fazer os treinamentos no seu computador do trabalho ou em casa, ou em um tablet e assim sucessivamente, de acordo com a mobilidade. Sobre o uso de redes sociais em treinamentos e projetos, Hansen destaca o by You, rede social corporativa da Totvs que pretende atingir principalmente o público jovem, dada a amigabilidade da interface e o anseio que os jovens têm de trabalhar de forma colaborativa.

*Esta matéria foi publicada pela revistaTecnologia da Melhor Gestão de Pessoas, Especial 2012.

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