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28/10/2014

Home work: formas contemporâneas de relações do trabalho

Trabalhar em casa continua em pauta no meio acadêmico e na mídia, mas será mesmo possível que os escritórios um dia vão acabar?  Nos anos 1990 surgiu um best-seller batizado como The Popcorn Report: Faith Popcorn on the Future of Your Company em que a autora fazia uma previsão do que seria a sociedade informatizada no futuro. Para ela, os escritórios seriam coisas do passado, os supermercados seriam operados por meio de computadores, com os consumidores abandonando o hábito de sair de casa para fazer compras, recebendo-as em suas casas. Muitas das previsões de Faith Popcorn se concretizaram, mas ainda temos muito para ver acontecer. Como a maioria das mudanças não ocorre num curto espaço de uma ou duas gerações, talvez nem todos nós poderemos testemunhar as grandes transformações que estão por vir.

Uma pesquisa realizada por alunos da FEI em 2013, com 100 profissionais de várias empresas no ABC paulista, constatou que 82% vê no home work uma tendência e 59% acredita que as empresas poderão ter um desempenho melhor adotando essa forma de relação com o trabalho. Por outro lado, 88% dos participantes consideram que isso melhora a qualidade de vida, pois dá mais autonomia aos funcionários. Mas nem tudo é um mar de rosas, pois 46% dos pesquisados acreditam que o home work pode afetar a convivência pessoal nas organizações e 30% tem dúvidas em relação a essa questão. Resta saber como o mundo corporativo vai evitar o isolamento das pessoas.

Trabalhar em casa é uma possibilidade concreta com a massificação da TI com computadores pessoais e outras ferramentas, tornando totalmente dispensável que os funcionários administrativos saiam de suas casas para realizar as suas tarefas diárias. Qual é o sentido de se deslocarem para os escritórios, amargando um trânsito caótico durante horas, para fazer o que poderia ser feito sem sair de casa? Absolutamente nenhum, mas as organizações em sua grande maioria ainda preferem que seus colaboradores estejam presentes em suas mesas durante o expediente, produzindo ou não. A presença nos escritórios representa muito mais uma questão ideológica relacionada ao controle sobre o trabalhador do que o sentido da eficiência.

Algumas atividades como vendas sempre dispensaram a presença diária dos profissionais nas empresas. Cada vendedor tem sua agenda previamente acertada com a empresa e só comparece no escritório para prestar contas e fazer novos agendamentos. O controle do funcionário é feito por meio dos relatórios de visitas aos clientes e basta o gerente telefonar para alguns para saber se foi visitado ou não. Outra atividade, que já dispensa a presença diária na empresa, é a assistência técnica, pois ganha-se muito tempo saindo de casa diretamente para os clientes do que passando antes pela empresa.

O comércio eletrônico está se tornando uma realidade bastante concreta, tem crescido de forma exponencial e se revela uma tendência muito promissora para o mundo dos negócios. É possível que, em breve, o comércio varejista fique restrito apenas aos shopping centers, que continuarão aliando o comércio ao lazer, como previa Popcorn. 

Mas nem todas as atividades poderão ser realizadas em casa. Quem trabalha em fábricas, em linhas de produção, pode esquecer essa possibilidade e continuará se deslocando para as empresas, faça chuva ou faça sol, com trânsito ou sem ele durante muito tempo. Mas não desanimem, pois segundo as previsões dos futurólogos, dentro de menos de 100 anos, todas as atividades fabris serão realizadas por robôs altamente eficientes, que dispensarão o trabalho humano com mais qualidade, custos mais baixos e maior produtividade. O escritor russo de ficção científica, Isaac Asimov, prevê as fábricas do futuro apenas com um homem e um cão. O homem servirá para alimentar o cão e o cão para não deixar que o homem se aproxime da máquina.

*Este artigo fou publicado pela Gestão&RH em 27 de outubro de 2014.

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